"Só com a leitura um povo pode se tornar forte em sua cultura." (Rodrigo Poeta)

sábado, 26 de abril de 2008

17°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 17°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Valdir Santiago.
- Natural de Fortaleza-CE.
- Cidade em que representa: Fortaleza-CE.
- Data de nascimento: 18/07/1945.
- Atividade: Poeta.

- 17°lugar com o poema:


AS LETRAS

Elas formam sílabas
As sílabas formam palavras
Palavras que formam orações
Orações que têm sujeitos
Sujeitos que têm corações
Corações que têm predicados.

Predicados que geram sentimentos
Sentimentos culpáveis
Sentimentos horríveis
Sentimentos louváveis
Sentimentos alegres
Sentimentos agradáveis.

No dia-a-dia entregamos flores
E às vezes recebemos espinhos
Espinhos que causam dores
Dores que destroem ninhos
Ninhos repletos de amores
Amores recheados de carinhos.

São as letras misturadas
Que formam lindas palavras
Palavras que formam versos
Versos que diferem das prosas
Prosas que estão paralelas às trovas
Trovas companheiras dos poetas nas madrugadas.

São as letras misturadas
Que formam o seu nome
Nome que aumenta esta dor
Esta dor cessaria se confirmasse o seu amor.

São as letras misturadas
Que para todas as línguas
Formam palavras dóceis
E palavras amargas.

São as letras misturadas
Que formam lindas palavras
Palavras substantivadas
Palavras adjetivadas.

Palavras ricas e apropriadas
Palavras que são verbos
Verbos que são verdades
Verdades que enriquecem as palavras.

(Poeta Valdir Santiago)

16°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 16°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Fabio de Souza Batista (Fabio Emecê).
- Natural de Cabo Frio-RJ.
- Cidade em que representa: Cabo Frio-RJ.
- Data de nascimento: 28/07/1981.
- Atividades: Poeta, professor, ativista social e integrante da banda de rap Bandeira Negra.

- 16°lugar com o poema:

Abolido?

De posse da potência estigmatizada
A tez negra que representa a grande pegada
Alva pele sendo enquadrada
A textura do preconceito sendo gozada
O extermínio do fascínio da socialização
A falta de análise da potencialização
Calvagando a negritude na rua de baixo
Enrabando o condicionado no apartamento decorado
O escroto dói, as pernas bambam
O tiro destrói, os contratos claream
Já te disse o quanto a sua brilha?
Já te disse que dá prazer todo dia
A concubina maqueada não argumenta
O trabalhador com sua enxada não lamenta
Ô nego, para de reclamar
Ô nega, não para de rebolar
O membro grande, negro e duro assinando decretos
O corpo libidinoso, negro e formoso formando ministérios
A potência estigmatizada está no poder
Alvas peles de quatro esperam reaver
Só queremos que percebam uma coisa
A capacidade não se constrói através da pele de uma pessoa

(Poeta Fábio Emecê)


15°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 15°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Jhonata da Conceição Paredes.

- Natural de São Gonçalo-RJ.
- Cidade em que representa: Cabo Frio-RJ .
- Data de nascimento: 19/03/1989.
- Atividades: Poeta, ator e estudante.

- 15°lugar com o poema:




Bolinha Azul

Coitadinha, ela é só uma bola
Que nos serve de brinquedo.
E em mais uma 'puta' propaganda
De coca-cola
Ela se acaba de medo.

Não é lindo como ela rola?
Não chute-a deste jeito.
Lembre-se que você cresceu com ela
Dona da euforia até hoje no seu peito.

Te contarei, hoje, uma coisa
Que parece não saber,
Mas esta bola ainda é viva
E muito precisa de você.

Lembre-se que também precisa dela
Mais você dela, que ela de você,
Pois, ela sem você é bola;
Você sem bola, o que irá ser?

Seja parte, pegue a bola!
Não se permita morrer.

(Johnatan Paredes)


14°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 14°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Moacir Eduão.
- Natural de Irecê-BA.
- Cidade em que representa: Irecê-BA.
- Atividade: Poeta.

- 14°lugar com o poema:

PARIDADE INCORRETA


Autor: MOACIR EDUÃO
São Gabriel - Bahia

Um par de deuses
para eu olhar com meu par de olhos míudos.
Planetas desenhados
na galáxia, como se fossem intermináveis.
Meu par de olhos miúdos, enganados, ingênuos,
tenta contá-los, inventar números exatos...
Enganados, ingênuos olhos de sangue,
a ver cometas a mais do que existem.
De uma ampulheta, a novidade espalha-se.
Quebrem-na, deuses infalíveis!
Devolva as areias ao mundo das areias
e as desencarcerem desse vidro fosco
que guarda o tempo.
Par de olhos dúbios, afinando o que era para ser grosso e não uma navalha.
Envolvidos, indevidos como os patíbulos,
perdam-se de meus pés os sapatos
que o destino feriu com suas estradas.


13°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 13°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Flávio Otávio Ferreia.
- Natural de Bela Vista-MG.
- Cidade em que representa: Araxá-MG.
- Atividade: Poeta.

- 13°lugar com o poema:




Algodão Doce!

o sangue escorre vertiginosamente sobre os trilhos metálicos da estação de metrô
hipnótica a mancha se espalha misturada a urina e vômito e secreções

impossível sobreviver às explosões

afinal, a vida é precária para todos, no entanto, existem abutres demais esperando nossas vísceras

não suporto o cheiro da cidade grande – cheira a esgoto e crime – ainda caminho junto a multidão

na tevê pequenos flashs propagandam a calamidade

morte no metrô de Londres – terrorismo – bomba explodiu – tudo pelos ares
todos os olhares se voltaram para o mundo mulçumano.
o terror – fazendo-nos esconder debaixo da cama por medo da próxima bomba ser sobre nosso teto – inocência nossa – acreditar que poderiam explodir nossa casa – pobres mortais

fechamos os olhos e não percebemos o que acontece ao lado
um bêbado caiu no trilho do metrô – se resume agora a uma mancha vermelha e estraçalhada sob a engrenagem dos vagões – e, eu continuo minha caminhada – pensando em minha vidinha frívola e degustando algodão doce azul – pois o mundo continua perfeito – minha vida ainda não saiu dos trilhos


(Flávio Otávio Ferreira)


segunda-feira, 21 de abril de 2008

12°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 12°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Leni Martins .
- Natural de São Paulo-SP.
- Cidade em que representa: São Paulo-SP.
- Data de nascimento: 20 de fevereiro de 1965.
- Atividades: Poeta e artista plástica.

- 12°lugar com o poema:




Águia !

Serei águia a ultrapassar a fronteira,
deslizando entre o céu, sem limites,
sem barreiras.

Serei águia sorrateira,
de vôo rasante e faceira,
de garras afiadas, a rainha
das alturas, impiedosa e guerreira

Águia, eu serei...
nas majestosas tardes ensolaradas,
serei a ave mais cobiçada, de olhar
fascinante, que voa distante, para não ser
alcançada.

Serei águia audaz, de olhar esperto,
penetrante e disperso, guiada pelo destino,
carregarei em meu peito um coração partido,
mas consciente do meu livre arbítrio.

Águia solte seu grito, seu gemido
sobrevoando o penhasco, a vitória é sua
e não o fracasso.

Águia de aço eu serei, saltarei de uma
montanha e neste chão nunca mais pisarei.

(Poeta Leni Martins)

domingo, 20 de abril de 2008

11°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 11°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Ivy Menon.
- Natural de Cornélio Procópio-PR.
- Cidade em que representa: Cornélio Procópio-PR.

- Atividades: Poeta e advogada .

-
11°lugar com o poema:

supra-sumo

vejo-me pequena menina favelada
em eternas cavalgadas pelo mamonais,
verdes madrigais, eu e eles, nativos

acho que brotei da terra...terra vermelha
tão vermelha quanto o nariz dos italianos
que também brotaram dali.

e meus ramos, ervas daninhas
subindo livres,alegremente livres,
no rumo da galharia
em direção ao céu, tão meu,
tão brejeiro, próximo
sobrenatural

lembro-me crescendo meio
meio empertigada
com raízes incrustadas nas montanhas de pós-de-serra
creio que vim da terra com seus trigais amarelos
tão amarelos quanto os dentes dos italianos
com seus fumos-de-corda que também se fixaram ali.

e os meus cachos lisos e frescos
ganharam espaço, alçaram vôo
soltos no céu tão italiano, surreal

enxergo-me mulher
meio arteira, meio inteira
nas incansáveis caminhadas
pelo teu corpo nu – e marrom –
tão marrom – e nu – quanto os italianos
que mudaram de cor quando perderam o tempo
e misturaram-se à terra dali

e meus rumos, incertos, sem prumos
cavalgam trigais verde-amarelos
e intimido-os se fixo em mim o infinito

de resto:
para o teu grito
o meu urro
para o teu resumo
o meu supra-sumo!

(Ivy Menon)