"Só com a leitura um povo pode se tornar forte em sua cultura." (Rodrigo Poeta)

sábado, 26 de abril de 2008

13°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 13°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Flávio Otávio Ferreia.
- Natural de Bela Vista-MG.
- Cidade em que representa: Araxá-MG.
- Atividade: Poeta.

- 13°lugar com o poema:




Algodão Doce!

o sangue escorre vertiginosamente sobre os trilhos metálicos da estação de metrô
hipnótica a mancha se espalha misturada a urina e vômito e secreções

impossível sobreviver às explosões

afinal, a vida é precária para todos, no entanto, existem abutres demais esperando nossas vísceras

não suporto o cheiro da cidade grande – cheira a esgoto e crime – ainda caminho junto a multidão

na tevê pequenos flashs propagandam a calamidade

morte no metrô de Londres – terrorismo – bomba explodiu – tudo pelos ares
todos os olhares se voltaram para o mundo mulçumano.
o terror – fazendo-nos esconder debaixo da cama por medo da próxima bomba ser sobre nosso teto – inocência nossa – acreditar que poderiam explodir nossa casa – pobres mortais

fechamos os olhos e não percebemos o que acontece ao lado
um bêbado caiu no trilho do metrô – se resume agora a uma mancha vermelha e estraçalhada sob a engrenagem dos vagões – e, eu continuo minha caminhada – pensando em minha vidinha frívola e degustando algodão doce azul – pois o mundo continua perfeito – minha vida ainda não saiu dos trilhos


(Flávio Otávio Ferreira)


segunda-feira, 21 de abril de 2008

12°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 12°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Leni Martins .
- Natural de São Paulo-SP.
- Cidade em que representa: São Paulo-SP.
- Data de nascimento: 20 de fevereiro de 1965.
- Atividades: Poeta e artista plástica.

- 12°lugar com o poema:




Águia !

Serei águia a ultrapassar a fronteira,
deslizando entre o céu, sem limites,
sem barreiras.

Serei águia sorrateira,
de vôo rasante e faceira,
de garras afiadas, a rainha
das alturas, impiedosa e guerreira

Águia, eu serei...
nas majestosas tardes ensolaradas,
serei a ave mais cobiçada, de olhar
fascinante, que voa distante, para não ser
alcançada.

Serei águia audaz, de olhar esperto,
penetrante e disperso, guiada pelo destino,
carregarei em meu peito um coração partido,
mas consciente do meu livre arbítrio.

Águia solte seu grito, seu gemido
sobrevoando o penhasco, a vitória é sua
e não o fracasso.

Águia de aço eu serei, saltarei de uma
montanha e neste chão nunca mais pisarei.

(Poeta Leni Martins)

domingo, 20 de abril de 2008

11°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 11°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Ivy Menon.
- Natural de Cornélio Procópio-PR.
- Cidade em que representa: Cornélio Procópio-PR.

- Atividades: Poeta e advogada .

-
11°lugar com o poema:

supra-sumo

vejo-me pequena menina favelada
em eternas cavalgadas pelo mamonais,
verdes madrigais, eu e eles, nativos

acho que brotei da terra...terra vermelha
tão vermelha quanto o nariz dos italianos
que também brotaram dali.

e meus ramos, ervas daninhas
subindo livres,alegremente livres,
no rumo da galharia
em direção ao céu, tão meu,
tão brejeiro, próximo
sobrenatural

lembro-me crescendo meio
meio empertigada
com raízes incrustadas nas montanhas de pós-de-serra
creio que vim da terra com seus trigais amarelos
tão amarelos quanto os dentes dos italianos
com seus fumos-de-corda que também se fixaram ali.

e os meus cachos lisos e frescos
ganharam espaço, alçaram vôo
soltos no céu tão italiano, surreal

enxergo-me mulher
meio arteira, meio inteira
nas incansáveis caminhadas
pelo teu corpo nu – e marrom –
tão marrom – e nu – quanto os italianos
que mudaram de cor quando perderam o tempo
e misturaram-se à terra dali

e meus rumos, incertos, sem prumos
cavalgam trigais verde-amarelos
e intimido-os se fixo em mim o infinito

de resto:
para o teu grito
o meu urro
para o teu resumo
o meu supra-sumo!

(Ivy Menon)


10°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 10°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome:Nita V. Aguiar
.
- Cidade em que representa: Xambioá-TO.
- Atividade: Poeta.



- 10°lugar com o poema:

Ouro do cerrado

Sob o sol do Tocantins,
pairam no ar aves diversas,
raios luminosos, parecem refletir
os mistérios da criação divina...

De longe, avista-se antigo vilarejo,
antigos casebres, onde, as pernas do sol
penetram pelas frestas...
antigos moradores,aparentemente, cotidianamente, "felizmente felizes"...
desejosos de algum veneno anti-monotonia,
que seja chocolate e cure a ferida dos dias...

Querubins meninos,
camponeses adultos,
caminham em corda bamba
até o limite do sonho,
quem dera, além Jalapão...

Sua comprida e pérfida esperança,
não soube da estrela do céu,
realizadora de sonhos juntos sonhados...
camponeses amados,
não sabem que o destino é um jardim dourado...

Presente dos céus,
paraíso, quase, intocado...
da força da terra, novo horizonte,
límpida alegria. Desponta verde capim,
pela luz divinal, transformado...

Iluminados por novas experiências,
rumo ao progresso, o habilidoso artesão,
tece fios de seda, no raro capim dourado,
só encontrado, no cerrado preservado...

O que dele em mim vive,
oferece uma face de enigma,
a realidade oculta, em forma de sonho,
dessa esfera cultural onde o corpo habita...
cogita, degustar o saboroso chocolate Argentino,
fruto do lucrativo famoso capim dourado...

(Poeta Nita V. Aguiar)

sábado, 19 de abril de 2008

9°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 9°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome:
Inês Martins.
- Cidade em que representa: Goiânia-GO .
- Atividades: Poeta e professora.

- 9° lugar com o poema:

Soluços do vento...

Um som me chega
Em uma calma aparente,
Chega como se quisesse me mostrar o acaso...
A calma aparente dos dedos, que escondidos tremem...

Um som me chega...
Se aconchega no peito, pára...
Treme, ao longo, todo o corpo...
Um som, um amor e uma estrada...

Um som me toca, com seus dedos ávidos de poema inacabado...
Um som me sorri em versos nunca dantes declamados,
Mas é só um som,
Que pode ser uma moça num ônibus sem destino...
Um moço pensando nela em desatinos...
Uma saudade do passado...
Um amor passageiro...
Presságios...

E a música se renova, lenta...
Calma, como a doce palavra pensada...

Olha a música...
Sente o vento...
Sente a minha chegada...
Meu corpo quente e Incerto de poesia vívida guardada...

Sente a música...
Ouve o vento...
A melodia vívida das suas palavras...

Ouve a música...
Vê o vento...
Derrubar as folhagens antigas
E fazer brotar novas

Chegadas...

Respira a música...
Pega o vento
E vê que nas suas mãos ele foge...
Medroso...
Desavisado...

Corre a música...
Deixa o vento
E me abraça, desavisado...

São soluços, homem!
Do vento...
De saudade...


(Poeta Inês Martins)

domingo, 13 de abril de 2008

8°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 8°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome:
Humberto Golfieri Jr.
- Natural de Ribeirão do Pinhal-PR.
- Cidade em que representa: Cascavel-PR.
-Data de nascimento: 18 de novembro de 1960.
- Atividades: Poeta e médico.

- 8° lugar com o poema:


*Foto de Eddie Esteves.


SONETO AO IMPERADOR


Minha choupana é meu palácio de cristal,
Ornada em barro ... por sapé sendo coberta,
Exemplo único de nobre arquitetura colonial,
Sem janelas e de porta sempre aberta.

Minha choupana é meu próprio Taj Mahal,
Onde hospedo minha Rainha ... que certa,
Traz consigo nosso séqüito fraternal,
Não é uma, nem duas ... são dez bocas abertas!

Carrego comigo minha própria carruagem,
Dando folga aos cavalos, eu mesmo a puxo,
Tendo o lixo reciclável por bagagem.



Fim do dia ... sendo eu o Imperador,
No banquete ... cheiroso arroz com bucho,
Esse é meu reino ... Favela do Redentor!


(Poeta Humberto Golfieri Jr.)


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

7°lugar no I° Concurso POESIARTE.


- 7°lugar no I° Concurso POESIARTE.
- Nome: Júlio Sampietro.
- Natural de Piratininga-SP.
- Cidade em que representa: Curitiba-PR.

- Data de nascimento:25 de maio de 1943.
- Atividades: Poeta e escritor.


- 7° lugar com o poema:


"O ESPANTALHO PROTETOR"

Olhava firme o horizonte
Com seu corpinho de palha
Quando ouviu de repente
Um zunzum de farfalha

Era a fome da passarada
Indo às copas e ao canteiro.
Tendo fruta amadurada
Era estrago por inteiro

Desceu ele, do madeiro
Andando bem sorrateiro
Curvando espinha e joelho
Foi pegar um grande espelho

Olhou então, para o Céu,
Com muita astúcia e a fim,
Esse tal cabeça de capim
Focou no espelho, o Sol.

O astro-rei refletia
Um brilho rude e fatal.
Cada ave que caía
Era uma vitória total.

O espantalho se vingava
Do invasor que o mangava.
Vindos de outro matagal
Até aos frutos do quintal.

Ria tanto o desengonçado
Ao ver o infrator debandado.
Ria tanto que a orelha
Fazia da boca, parelha.

Assim que espantou o invasor
Subia de volta ao cruzeiro
Nosso espantalho protetor
Que nada tinha de hospitaleiro.


(Poeta Júlio Sampietro)