"Só com a leitura um povo pode se tornar forte em sua cultura." (Rodrigo Poeta)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

1°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE



1º lugar: Geraldo Trombin.
- Poesia: Canto da Página.
- Pseudônimo: GZIN.
- Cidade: Americana-SP.
- Pontuação: 504.

-Vejamos o poema:


CANTO DA PÁGINA

No canto da página
Um canto torto, áfono.
Uma borda (re)virada,
Orelha (ab)surda,
Sem dar ouvidos
A nada!

No canto da página,
Aba que desaba
A linha da vida.
Indefinida.
Interrompida.
Uma pauta
Iletrada,
Sem assunto,
Sem nada!

Um vão simétrico
Milimétrico,
Quilométrico,
Nas entrelinhas
Do dia.
E mais nada!

No canto da página,
Plangente alta-alvura.
Ansiedade folheada à procura
Da canetada perfeita,
Da grafitada explosiva,
Da ideia fluida,
Da eclosão de cada um dos sentidos,
De todo o sentimento,
Da sua íntegra transcrição.
Uma mancha ínfima que seja
No papel da história.
E nada de nada!

No canto da página,
Quantas arestas
De uma melodia vazia,
Entaladas
Na quina da garganta
Que regurgita
Suas ausências
Assim do nada!

No canto da página,
Simplesmente
Um branco pleno, eterno,
Ainda a ser rascunhado,
Preenchido
Pelos seus encantos
Ou, por que não,
Seus temíveis desencantos!
Mas, que nada!

(Pseudônimo: GZIN)

2°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE




2º lugar: Lohan Lage Pignone.
- Poesia: Bilacacos da arte.
- Pseudônimo: Manuel Moraes de Andrade.
- Cidade: Trajano de Moraes-RJ.
- Pontuação: 476.


-Vejamos o poema:




Bilacacos da arte

Tome uma pílula
Verde, amarela, vermelha
Coma uma vírgula
Provoque uma centelha
Incêndio! Queimem os compêndios
Lusitanos, acadêmicos
Doe sangue às veias
Deste senhorio anêmico
Quebremos o vaso de Bilac
Façamos poesia com seus bilacacos
Transforme a desgraça alheia
Em arte.
Me dá um cigarro agora,
E terá feito sua parte.
Desastre. Desartes.
A arte mora nos prefixos que a negam.
As letras não querem ser empregadas
Letra se demite a cada página virada.
Vire a página.
Marque-a de orelha,
Nariz, boca, coração.
Literatura é a vida que se doa,
Doa como doer.



(Pseudônimo: Manuel Moraes de Andrade)

3°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE




3º lugar: Sarah de Oliveira.
- Poesia: Fêmea.
- Pseudônimo: Katita.
- Cidade: Campinas-SP.
- Pontuação: 473.


-Vejamos o poema:



Fêmea

Ela está na Gênese, na essência
E tece a rede diáfana da existência.
Ela está na meiguice, no amor,
No invólucro que sangra
Está no ventre que gera, que dá a vida,
No seio que alimenta,
Nos braços que embalam, no colo que aconchega.
Ela está na cantiga de ninar,
Está no pranto que desce dos olhos,
Duas janelas d’ alma, com mãos
Impregnadas de luas milenares.
Ela é profana... É sagrada...
Pacífica, guerreira, dócil e feroz.
Ela é verbo e é serenidade,
Composição de toda a oração.
Ela é cais, ela é barca atracado,
Velas ao vento, nau à deriva.
Penélope que espera...Que tece...
Que semeia sóis, luares e poesias
Nas pedras sedimentadas.
Ela é o princípio e o fim
Da trajetória e o fim
Da trajetória do existir.

(Pseudônimo: Katita)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

4°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE





4º lugar: Luiz Poeta.
- Poesia: Instinto Animal.
- Pseudônimo: PIVETIN.
- Cidade: Rio de Janeiro-RJ.
- Pontuação: 454.


-Vejamos o poema:



INSTINTO ANIMAL

Nas lâminas das presas que há nas feras,
Os sonhos são sublimes primaveras
Que esmagam-se em trôpegas gargantas;
Os olhos do poeta são esferas
Etéreas, tão repletas de quimeras,
Aéreas como o pólen de umas plantas.

O sonho que a traqueia regurgita,
Desmaia no silêncio que o habita
E instala-se na emoção mais pura
Que move todo ser que ainda acredita
Que toda fantasia infinita
Depende só de um toque de ternura.

Mas na fisiologia vã que existe,
No instinto animal que ainda resiste,
A gula se antepõe ao que tem fome
E as presas venenosas sempre em riste,
Distraem todo ser que fica triste
E esquece a identidade e o sobrenome.

A casta se organiza enquanto a turba
Confunde-se com o medo que a perturba
E espalha-se qual larva viva e tosca,
Trocando o seu voo de passarinho
Por um inseto torpe e tão sozinho
Que adquire as asas de uma mosca.

No topo da camada alimentícia,
Onde o brasão é arma vitalícia
Da gosma que percorre seus caninos,
Uma vontade mórbida que anseia
Matar o ser que ainda devaneia
Constrói a sedução dos assassinos.
...

 (Pseudônimo: PIVETIN)


5°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE



5º lugar: Flavio Machado.
- Poesia: bossa nova.
- Pseudônimo: Alma Junior.
- Cidade: Cabo Frio-RJ.
- Pontuação: 453.


-Vejamos o poema:




bossa nova
(a canção solitária invade
as areias do litoral)

frágeis são as embarcações
partindo do cansado cais
fúria das marés abrindo lacerações
crucificação dos mártires gritos e ais

o navegador experimenta
rotas descritas nas cartas celestiais
os instrumentos modernos movimentam
levando ouro e sais

cantiga de roda cantais
nos seminários e quintais
abandonando o porto em velada calmaria
encontrando nos trópicos a antropofagia

invertendo a ordem da passagem
montando cenários de guerra
decifrando a mensagem
contida nas aberrações dessa terra

esquadra tombada no pontal
atalaias e outras paragens
o barco tão frágil punhal

mouros enfrentamentos
areia carregada pelo terral
abreviando tarde de expiação e arrependimentos.


6°lugar no VI° CONCURSO POESIARTE




6º lugar: André Kondo.
- Poesia: Velhos poetas.
- Pseudônimo: J. Matsushita.
- Cidade: Jundiaí-SP.
- Pontuação: 452.


-Vejamos o poema:



Velhos poetas

Velhos poetas
sentados nas varandas
de suas poesias
com o olhar em versos
ansiando pela vida rimada
ainda em busca
sempre em busca
de alguma lírica
na vazia linha do horizonte

e nada encontrando
lá fora – sempre tão distante
simplesmente
jogando seus corpos
no asilo da poesia

e lá esperam
enquanto suas almas,
como brancos lençóis a secar
– nos fundos do asilo –
dançam com o vento
até que a última gota seque
e nada reste

além da poesia
em um asilo
sem velhos.

(Pseudônimo: J. Matsushita)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

7º lugar no VIº CONCURSO POESIARTE




7º lugar: Roque Aloísio Weschenfelder.
- Poesia: Libertação.
- Pseudônimo: Anjo Galáctico.
- Cidade: Santa Rosa-RS.
- Pontuação: 448.


-Vejamos o poema:




LIBERTAÇÃO

Tranca a nave a alma
Em vida de corpóreos respiros
Janela aberta ao céu
Por ansiados suspiros

De poemas saturada sofre
Incômodos da sorte presa
Sem esperanças de sair ilesa
Lamenta a depressão dos dias

Anseia as ondas de mares
Nunca antes navegados
Permeia se as nuvens nascem
Da conjunção das angústias

Cansaram os beijos e abraços
Romperam da felicidade os laços
Queimam sonhos mais amplos
Por céus de deuses olímpicos

Enquanto os ventos se vão
E nunca retornam sem trovão
As verdades molham na chuva
Com enxurradas nas encostas

A colheita da dona da foice
Deixa caveiras despidas ao léu
As ondas do mundo se afogam
Quando a alma alcança seu céu

(Pseudônimo: Anjo Galáctico)


sábado, 11 de fevereiro de 2012

8º lugar no VIº CONCURSO POESIARTE




8º lugar: Luiz Renato Semin.
- Poesia: Tanta Vida.
- Pseudônimo: Justus.
- Cidade: São Paulo-SP.
- Pontuação: 446.

-Vejamos o poema:




Tanta Vida

Há tanta vida aqui dentro
Pulsando, querendo sair
Do meu âmago epicentro
Fúria prestes a explodir

Quando com veemência emergir
O jorro que alimento
Da minha alma a sorrir
Não sobrará pó nem vento

Enquanto segue represada
Essa força nas entranhas
Finge ser calma enseada
Prende a si suas façanhas

Mas há de ser tamanha
Sua triunfante chegada
Da grandeza da montanha
Ser de mim arrebatada

Assim não mais existirei
Com antes se supunha
Nem mendigo nem rei
Pobre e tola testemunha

Do que fui só uma alcunha
Parábola que esquecerei
Extirpado o nó à unha
O que restou não sei

Agora no mar sou farol
No deserto ventania
Clareio e ofusco Deus Sol
Cumpra-se a minha profecia

Há tanta vida aqui dentro
Pulsando
Querendo sair.

(Pseudônimo: Justus)



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

9º lugar no VIº CONCURSO POESIARTE


9º lugar: Coracy Teixeira Bessa.
- Poesia: Semana Poética.
- Pseudônimo: Menestrel.
- Cidade: Salvador-BA.
- Pontuação: 444.


-Vejamos o poema:



Semana Poética

Esperei a digestão do poema
Que transbordou das bordas do livro.
Os pingos finais, hesitantes,
Cobriram de transparências
Meu café da manhã.
Digerir lentamente os versos,
Assimilar fugidias idéias e nítidas imagens,
Ocupou até o terço do meu terço dia.
Afoito, abri ao léu página qualquer:
Voejaram borboletas, coaxaram sapos
Ao sincopado canto de cigarras nuas,
Pousadas em pedras e latas
À margem do rio.
Esperei mais três dias, nessa digressão.
No sétimo, descansei:
Plena de luz, sons silêncio e sombras
Deslizamentos nas ruas, nuvens, telhados
E montes de lixo...
(Mas não fui o Criador desta semana)

(Em homenagem aos Ensaios Fotográficos de Manuel de Barros)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

10°lugar no VI° Concurso POESIARTE



10º lugar: António José Barradas.
- Poesia: A janela do meu quarto.
- Pseudônimo: Tiago.
- Cidade: Parede - Portugal.
- Pontuação: 420.

*Janela em Leiria - Portugal.
- Foto de Ana Carvalho.


-Vejamos o poema:

A janela do meu quarto

Abro, no quarto, a janela,
De manhã, de madrugada,
Tenho uma vista tão bela,
Tão serena, tão singela,
Que a alma fica enamorada.

O sol desponta, defronte,
Em luzinha tão travessa,
Que até o verde do monte
Brilha mais, no horizonte
Deste dia que começa.

E a brisa surge, teimosa,
Num breve correr, risonho,
Beija a erva, abraça a rosa,
Sopra a folhinha, ansiosa,
Vem carregada de sonho.

Já há pombos arrulhando,
São dois, à volta, no chão,
Ele, a beleza mostrando,
Ela, vaidosa, acenando
Ora num sim, ora não.

Lancei, por todo o lugar,
Umas quantas vitualhas
Que os pardais, a saltitar,
Buscam fazer um manjar
Daquelas poucas migalhas.

E o gato, cheio de cobiça,
Perante tanto alvoroço,
Pensa, com certa preguiça,
Que, nesta calma mortiça,
Já tem, à frente, o almoço.

As folhas das oliveiras
No quintal, à minha frente,
Viram-se ao sol, faceiras,
Abrem-se de mil maneiras,
Sorriem p’ra toda a gente.

Longos minutos me quedo
Sem pensar na despedida
Porque a flor lilás, sem medo
Vai desvendando um segredo,
Despertando para vida.

Ergue-se como um farol
Na linda cor que irradia
E, por isso a aquece o sol
Quando escuta o rouxinol
Lançar trinos de alegria.

Então, fica-me, dessa hora,
Olhos erguidos aos céus,
A certeza de que, agora,
Ao ver uma nova aurora,
Eu digo obrigado a Deus.

Depois desta comunhão
É, com saudade, que parto,
Rezo uma última oração
E fecho, com lentidão,
A janela do meu quarto.

Pseudônimo: Tiago.



11°lugar no VI° Concurso POESIARTE


11º lugar: Pedro Laurentino.

- Poesia: Urubu.
- Pseudônimo: rocinante.
- Cidade: Teresina-PI.
- Pontuação: 411.



- Vejamos o poema:

Urubu

Autor: rocinante

O descanso na rede branca
O vôo livre de um urubu
Não tem rima,não tem verso
Mas me fez sentir poeta

E a liberdade inquieta
Mirando o pássaro nu
Vai rompendo o universo
Até que a sangria estanca
E nasce esse verso cru

12°lugar no VI° Concurso POESIARTE


12º lugar: Sandro Henrique.
- Poesia: Sentado num banco de praça.
- Pseudônimo: SS.
- Cidade: Araruama-RJ.
- Pontuação: 404.



- Vejamos o poema:




SENTADO EM UM BANCO DE PRAÇA


Sentado em um banco de praça,
Penso no dia de amanhã,
Penso nas chances que tive na vida
E naquelas que nunca tive
Oportunidade de ter.

Foi sentado em um banco de praça,
Que passei a repensar na vida.
Tive que rever alguns conceitos.

Sentado em banco de praça,
Pensei em rever meus conceitos,
Pensei em ser mais humano.

Sentado em um banco de praça,
Lembrei que não sou o melhor,
Mas também não me enquadro
Nos piores.

Foi desde quando eu estava mais
Desiludido com a vida,
Que tive a ideia de sentar em um banco de praça
E pensar um pouco na vida.

Foi em um banco de praça,
Que comecei a lembrar o quanto
Eu sou feliz e o quanto tenho sorte
Na vida.

Foi sentado em banco de praça,
Que me lembrei que na vida existem
Dias de luta e dias de glória,
Mas de todos eles pode-se retirar
Algum proveito.

Devo aprender a cair
De forma que eu consiga
Me reerguer e ir adiante
Na batalha.

Foi em banco de praça,
Que eu pude perceber
O quanto minha vida
Vale a pena.

(SS)

13°lugar no VI° Concurso POESIARTE




13º lugar: Jonathan Gonçalves.
- Poesia: Olhos de cortina.
- Pseudônimo: Narciso Anídrico.
- Cidade: Magé-RJ.
- Pontuação: 397.

*Arte de Fátima Queiroz.



- Vejamos o poema:


Olhos de cortina

Fogos de artifício colorem o céu invernal
E no meio de rumores, risos, frio e de luzes nos olhos
Eu, timidamente, começo a pensar em você.

Recordações de um dia misterioso me assaltam
Naquele dia eu te disse: “Vejo nebulosas no teu olhar”
E sorrindo você me disse: “Vejo cortinas azuis nos teus”
Não entendi
E me calei.

Agora, diante deste belo, mas artificial, esplendor
Eu te vejo além
E talvez comece a compreender a sua estranha metáfora.

Não devo ocultar, mas rasgar
Devo rasgar as cortinas
Mesmo se são azuis.

Com coragem e temor o farei
E enfim sei que brilharei
Como aqueles olhos nebulosos.

Este é o desejo daquele olhar:
A minha transfiguração diurna
A minha despudorada oferta sem limites.

Sem limites
Sem limites
E...
Com desejo mineral, com ardor infinito
Serei o que sou chamado a ser
Serei-o-que-sou-mas-não-sou:

Ostra aberta
Pérola negra
Profundo Mar de Amor sem fim.

(Narciso Anídrico)